Vida Dupla
Neste universo paralelo em que estou vivendo agora, eu tenho filhos.
Claro que na vida, digamos assim, real, estou dirigindo o carro para ir à casa do amigo.
Mas neste universo paralelo em que estou vivendo agora, preciso dizer não ao Bruno, o menor. Ele quer alguma coisa que não posso dar.
É que na vida, digamos assim, real, eu dirijo por São Paulo, indo à casa de um amigo por obrigação. Passo pela rua dos artigos de pesca. Não gosto de nada disso. Gosto do amigo, mas não da mulher dele.
Mas neste universo paralelo em que estou, realmente, vivendo agora, preciso dar um banho no Bruno. É só isso que posso e devo dar a ele agora. É uma pena. Odeio dizer não. Ao amigo. Ao Bruno.
Mas a verdade é que na vida, digamos assim, real, sofro interferências emocionais do universo paralelo em que estou vivendo agora. É difícil dirigir. Faço movimentos involuntários, mímica de quem dá banho em uma criança.
Isso fica perigoso quando se torna incontrolável.
Na vida, digamos assim, real, não tenho filhos. E nem quero.
Mas sei que o tempo inteiro na festa do meu amigo eu vou mesmo é estar pensando nas crianças.
Escrito por Greta Benitez às 18h50
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