Chocolate Amargo * Greta Benitez


Certa manhã...

Certa manhã acordo sem poder respirar pelo veneno de um besouro que manipulei dentro do sonho que se passava no filme beleza roubada, acordo e olho pela janela com um céu muito azul, azul de cidade grande, mas vejo que a janela é pequena demais para ser do meu quarto e percebo que é a janela de um avião mas eu nem estava viajando nem nada e uma aeromoça bêbada e feia vem me perguntar se eu quero um dry martini ou vodca com leite de coco, como não, se escritores bebem tanto? Aeromoças não, essas são moças sérias que têm até namorado, às vezes filhos e sobrinhos, têm irmãos e batedeiras, que vida é essa de mulher sozinha, nem bebe, será rapidamente desmoralizada. Saindo do avião desço direto no bosque por uma trilha de frutas vermelhas e refrigerantes que dão pelos galhos e com uma trilha sonora vinda do inferno, cantada por aquela cantora pop que tem o coração do lado de fora do corpo acordo novamente dentro de algum pesadelo sob a colcha do Paquistão.

Escrito por Greta Benitez às 20h51
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Mercado Municipal

Encontrei na minha bolsa antiga um papel onde estava escrito:

Quimono

Pomba-gira

Gato

Moço ao pôr-do-sol

-

Seria uma lista de compras?



Escrito por Greta Benitez às 13h08
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Greta voltando à casa abandonada

Greta voltando ao local do crime.

A moça acaba de se mudar e aqui ninguém encontrará nada que conte em detalhes sobre a reforma, sobre os problemas com os contratados, sobre o stress dos papéis, sobre essa chateação toda. Combinado?



Escrito por Greta Benitez às 13h02
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Tempos sem vir aqui.

Tempos sem ir a outros lugares também. Coisa de quem está em trânsito, sem internet!

Isso logo passará.

 



Escrito por Greta Benitez às 11h37
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A frente fria de Natal já chegou em Curitiba.

Sempre tem.

 



Escrito por Greta Benitez às 20h05
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Continuo adorando um salto alto. Essa arquitetura é fundamental.

Imagem: John Willie's Bizarre. Eterna Inspiração.



Escrito por Greta Benitez às 23h52
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Vida Dupla

Neste universo paralelo em que estou vivendo agora, eu tenho filhos.

Claro que na vida, digamos assim, real, estou dirigindo o carro para ir à casa do amigo.

Mas neste universo paralelo em que estou vivendo agora, preciso dizer não ao Bruno, o menor. Ele quer alguma coisa que não posso dar.

É que na vida, digamos assim, real, eu dirijo por São Paulo, indo à casa de um amigo por obrigação. Passo pela rua dos artigos de pesca. Não gosto de nada disso. Gosto do amigo, mas não da mulher dele.

Mas neste universo paralelo em que estou, realmente, vivendo agora, preciso dar um banho no Bruno. É só isso que posso e devo dar a ele agora. É uma pena. Odeio dizer não. Ao amigo. Ao Bruno.

Mas a verdade é que na vida, digamos assim, real, sofro interferências emocionais do universo paralelo em que estou vivendo agora. É difícil dirigir. Faço movimentos involuntários, mímica de quem dá banho em uma criança.

Isso fica perigoso quando se torna incontrolável.

Na vida, digamos assim, real, não tenho filhos. E nem quero.

Mas sei que o tempo inteiro na festa do meu amigo eu vou mesmo é estar pensando nas crianças.



Escrito por Greta Benitez às 18h50
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Coisas estranhas acontecem na Comendador Araújo entre a Visconde de Nácar e a Visconde do Rio Branco- Curitiba. Dei de cara com a Björk bem ali, passeando calmamente, bucólica, sob a chuva. Isso no dia seguinte ao Tim Festival, no qual encarei uma fila surrealista de três horas para ver o show da mesma. Quando consegui entrar o show já tinha até começado. E ontem: uma moça sentou na escada de um edifício comercial para BERRAR: "Eu amo o Doutor Hélio! (ou Ênio, não entendi bem). Ela pedia para que alguém a matasse e queria que chamassem a polícia.

Bem, as duas têm a voz tão insólita quanto poderosa.



Escrito por Greta Benitez às 16h12
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Divinas Palavras

Vão já!!

http://satyros.uol.com.br/principal.asp



Escrito por Greta Benitez às 16h58
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Batalha no Salão

"...então, Branco Puríssimo eu não vou passar em você. Noiva Blue é quase lá, é branco com uma cintilância azul. Quer tentar?"

Manicures incompetentes. Desde quando eu aceito uma coisa "quase lá"?

"Branco é cafona, não é vintage nem retrô, simplesmente não se usa. Vamos tentar esse da Guilhermina na novela".

Sei. 



Escrito por Greta Benitez às 14h53
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Agenda!

Estarei no Brunch Literário, dentro do evento Satyrianas, falando sobre o tema Literatura Contemporânea, ao lado de Dirceu Villa, Andrea Catropa, Paulo Ferraz, Del Candeias e, ainda a confirmar, Chacal. Será neste sábado, dia 13 de outubro, às 12 horas no Teatro da Vila.
Rua Jericó, 256 - tel. (11) 3258 6345
Vila Madalena- São Paulo
Programação completa: http://satyros.uol.com.br
   
 


Escrito por Greta Benitez às 12h56
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Perfeição

 

Gosto de ver o gato na janela

perfeição da natureza

olhos verdes, vento

céu azul.

E sob esse olhar

a cidade desmaia.

 



Escrito por Greta Benitez às 09h39
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Sonolência na tarde quente de sol invasivo ouvindo Chavela Vargas.

Esta cidade precisa de uma tempestade.

Vamos tomar um café? 



Escrito por Greta Benitez às 15h20
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 www.raycaesar.com

Sabine

Uma austera professora de português
em frente aos boletins assinados.
Ninguém imaginaria
que há até um marquês
em sua galeria de assassinados.

29 crimes perfeitos
29 homens eleitos
29 mortes arrematadas com ardor.
Assim ela oferecia
sua mais autêntica prova de amor.

 



Escrito por Greta Benitez às 15h04
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Enquanto isso, em um quarto no centro sujo da cidade...

 

A moça usava corselet de aço

as fitas eram correntes

os laços cadeados.

O rapaz de cabelos compridos

tatuagens em locais proibidos.

Ele, inusitado beijo.

Ela, misterioso estojo.

Unidos em um prazer profundo

formavam

a mais delicada

obra de arte

do mundo.



Escrito por Greta Benitez às 20h12
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BRASIL, Mulher, de 15 a 19 anos, Livros, Música, gretabenitez@uol.com.br

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