Chocolate Amargo * Greta Benitez


A orelha do livro Canção Antiqüe, pelo meu amigo-irmão-vizinho-. Muita gratidão!

 

.naquela manhã passei a apreciar o impossível, passei a apertar os olhos para ver raios solares com maior exatidão. sentado em um café da rua augusta, pedi uma caneca de milk and honey. minutos depois um moço de sorriso timidamente abrasador entrou no estabelecimento, entregou-me uma espécie de biscoito da sorte e em seguida foi-se embora. reparti o biscoito ao meio, era um bilhete e a indicação: “procure o livro velho na canção antiqüe, ele irá revestir de veludo e pérolas sua alma cinzenta. com carinho, nick drake”. fui-me então... entrei. uma dama recebeu-me com um abraço forte. fiquei em silêncio e ela me disse: “moço ao pôr-do-sol, seja bem-vindo. estávamos te esperando havia muito tempo.” – de repente senti meu corpo mover-se e acarinhar o macio do edredom em minha cama. foi tudo um sonho. eu havia sonhado com o canção antiqüe.

greta benitez sorri, pois consegue nos enveredar direitinho em seu emaranhado atmosférico. a autora serve suas palavras banhadas em perfumes, chás e licores que, ao se misturarem, vertem-se em arrebatamento poético. por vezes nos intimida para olharmos a “alma dos outros com sua máquina de olhar dentro” e logo em seguida nos convida para um passeio de riquixá, por jardins e ventos de contemplação.  ao escrever é como se ela estivesse defronte à morada de um afeto desconhecido, apertasse campainhas incertas em dias chuvosos e sorvesse o impossível com tanta maestria e requinte feito a um chardonnay francês. e nesse trajeto o seu livro nos tece um universo nas transversais de sua matéria bruta, a palavra. sim, greta parece dialogar agudamente com o próprio eu: “sou tão velha que meus amantes já são nomes de ruas”. em seu livro nos deparamos com a moça que fotografa declarações de amor, a moça do tempo, a moça lírica, a moça escritora de tempos distantes e do agora. são movimentos circulares, feito ritos, onde suas personas se apresentam trajando puro primor poético. eis aqui seu livro antigo.

para minha vizinha, com amor.

 

Stefanni Marion

Escritor



Escrito por Greta Benitez às 12h58
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Canção Antiqüe

-Um elogio ao trema-


Em passeio por um bairro secreto da cidade, A Moça comprou
escarpins de gelatina vermelha em uma butique chamada “Sorry”.
Em uma delicatessen chamada “Paga lo que Deves”, achou um destilado de cor azul, o “Nick’s Lagoon”. Continuou a caminhada e, chegando na Alameda Lâminas, descobriu a loja especializada em objetos de charme chamada “Canção Antiqüe”. Lá, encontrou a poltrona usada por um escritor que não foi seu amante por um lamentável desencontro de épocas. Achou a almofada sinistra
que uma menina bordava em fins de tarde de sol enviesado,
enquanto tecia também planos macabros, após suas aulas de piano.
Encontrou ainda um candelabro que fazia parte do acervo de um homem elegantíssimo supostamente apreciador de pratos preparados à base de carne humana. Havia também livros antigos pertencentes a uma senhora biliardária que voltou para a sua terra, o país Nona Sinfonia, tendo doado toda a sua biblioteca para este antiquário.
A Moça foi abraçada por um desejo fatal de possuir um deles.
E o escolhido foi este livro velho que – quem diria?
– agora está em suas mãos.


Imagem: Grete Stern

 



Escrito por Greta Benitez às 08h44
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Novo Livro! Espero vocês lá!!

 

São Paulo-SP




Escrito por Greta Benitez às 23h13
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Poemas de Stefanni Marion

 

 

.esquadrinhar.

 

vivendo no covil de minha memória

inquilino dessa sarna eruptiva

como um escafandrista no oceano

canto a canção do princípio.

viver como um cancro,

andar pelos buracos

aspirando a metrópole poluída

e não há blocos de sol pelos desvios,

apenas um quarto e o espólio literário

avançando as portas do inferno.

meus pés, minhas mãos,

meu corpo todo.

tudo em desalinho,

sem coro, nem anjos ou velas.

minha dor criminal afogando-me

como afogaria um ramalhete inteiro,

sem néctar ou pétalas remanescentes.

minha ausência e minhas perdas,

minhas letras nessas folhas sonoras.

um dia tudo isso causará desilusão,

então desmonto meu esquife e tento

ficar nem que seja apenas uma noite.

 

 

 

 

plúmbeo 

 

.quando era garoto, no meio da noite parava em frente ao mar. as ondas ao chegarem molhavam tudo e diziam “sim”: casamos.

.suéter.

para aleph naldi

 

hoje quero ter um filho

lindo com um suéter verde.

hoje quero ter um filho

homem como eu,

mas infinitamente mais feliz.

  .amor.

 

 

 



Escrito por Greta Benitez às 17h34
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Realizaram uma orgia alimentar, Dionísio sangrento. Cantaram Turandot: Nessum Dorma, em sopranos e barítonos. Madrugada interminável de prazeres. Pela manhã, uma carnificina. Foram todos assassinados por um gigante de outra espécie, uma criatura ofendida pelo bacanal. No ambiente azulejado e frio descansaram em pedaços e depois foram levados por uma corrente de água. É. Os pernilongos tem uma vida muito intensa.

 

 

Bosch- O Jardim das Delícias

 

 

 

 

 



Escrito por Greta Benitez às 14h57
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A diversão genuína é construída com pequenas indignidades.

 



Escrito por Greta Benitez às 03h33
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Quando abriu a janela naquela manhã não encontrou a paisagem usual. O prédio de consultórios, a farmácia de manipulação, a delicatessen judaica. Não. o que estava lá agora era uma paisagem de Max Ernst.

 

 



Escrito por Greta Benitez às 11h50
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Plaquete Gatos dos Outros

Greta Benitez

 

Greta Benitez lança plaquete em homenagem aos gatos

 

A escritora Greta Benitez (Café Expresso Blakbird, Landy 2006) acaba de lançar a coleção de plaquetes Gatos dos Outros. São publicações artesanais com 13 poemas pelos quais passeiam os donos da paixão máxima da autora: os gatos.

Entre os protagonistas estão uma gatinha que dorme sonhando ser Zelda Fitzgerald e um dos companheiros de Greta, o gato com subtítulo Al Capone Lullaby- Uma Canção de Amor, que ganhou um poema dedicado a ele.

Cada capa é única e personalizada e cada exemplar vem com um marcador em retrós dourado arrematado por uma pérola, outra personagem recorrente na obra da autora.

O exemplar é vendido pelo preço de 13 reais mais o frete e será entregue no Brasil e exterior. Os pedidos podem ser feitos pelo mail gretabenitez@uol.com.br

 



Escrito por Greta Benitez às 19h42
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Para o aniversário de São Paulo...

Finíssima

 

A mulher gigante chega à cidade

no centro tropeça em prédios

quase cai

mas arruma a fivela da sandália

sentada sobre o Edifício Itália.

Com o tédio de sua beleza iluminada

logo pela manhã

enrola seu interminável cachecol

acende um cigarro no sol

e lixa as unhas no Copan.

Por seus passos a cidade estremece

quando anoitece

sem que ninguém veja

espia por trás da igreja

a noite acesa na Praça Roosvelt.

A cidade cuida dela

para que nada maltrate seu imenso coração

já que uma lágrima apenas

causaria uma inundação.

Finíssima:

champagne e ternura

um olhar que vai além.

Assim ela cuida da cidade também.



Escrito por Greta Benitez às 15h46
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Mais dois títulos para os filmes mais tristes (não sei como pude esquecer):

***Mary and Max: animação na qual uma garotinha se envolve por correspondência com um senhor judeu portador da síndrome de Asperger.

*****Perdidos na Noite: um jovem esperançoso vai à NY para tentar ganhar a vida como garoto de programa. Lá, conhece Razzo, um cara demais.



Escrito por Greta Benitez às 20h31
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Prefiro os que me causam horror aos que me causam preguiça.



Escrito por Greta Benitez às 20h26
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Nostalgia

Lembro de uma cena muito antiga da minha vida: morávamos eu, minha mãe e meu pai na rua Pedro Ivo, 466. A Praça Eufrásio Correia é perto, íamos lá com frequência para eu andar de triciclo. E pegar folr-de-pau. Aí vi um cartaz que anunciava o show dos "Secos e Molhados". Lembro de ter perguntado à minha mãe : "O que é Secos e Molhados?" Ela respondeu distraída: "É um local onde vendem comidas". Depois de anos me dei conta que eu tinha aprendido a ler aos 3 anos.



Escrito por Greta Benitez às 15h08
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Os filmes mais tristes de todos os tempos

Esses dias vi umas listas sobre isso. Concordei com dois:

AI- Inteligência Artificial. Não gosto.

Dançando no Escuro- este filme me dá raiva, porque é tão forçado e piegas que me senti ofendida.

 

Mas a minha lista é (os que gosto têm asterisco):

**Noites de Cabíria- esperança frustada para uma pessoa já muito sofrida.

*****Brown Bunny- a solidão e culpa em estado máximo. Adoro este filme.

Harry e Tonto- esse eu me arrependi de ter visto. Road movie geriátrico: um idoso sai em uma jornada com seu gato. Já dá pra imaginar, não?

Um Olhar do Paraíso- Uma garota é estuprada e morta e vai a um lugar onde encontra outras meninas que morreram assim. É tétrico. A fotografia onírica ajuda a criar um clima de estranhamento.

****A Hora da Estrela- Bem, já sabem.

***Edward Mãos de Tesoura- É sobre a injustiça, culparem a pessoa errada. A menina popular, aiaiai.

****Nó na Garganta- Um menino assassino. O pai dele morre e apodrece em casa, enqunto o filho finge não notar.

*Marcas do Destino- O rapaz que parece um leão consegue namorar uma cega. Aleluia.

*****Siesta (Marcas da Paixão)- Uma moça acorda na Espanha sem saber o que aconteceu. Um taxista tenta estuprá-la mas ela reage. No final do filme ela encontra o mesmo taxista e não resite mais, de tanto cansaço.

Aceito sugestões para aumentar a lista. Para os que não têm medo da tristeza.

 

 

 



Escrito por Greta Benitez às 17h06
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Uma brasileira também: belíssima. Mais atmosferas.

 



Escrito por Greta Benitez às 02h39
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Mulheres atmosféricas, novamente:

Chloë Sevigny

Moça corajosa, muitos filmes bons na carreira. Gosto dela.

 



Escrito por Greta Benitez às 02h26
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BRASIL, Mulher, de 15 a 19 anos, Livros, Música, gretabenitez@uol.com.br

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